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A obesidade há mais de 10 anos é reconhecida pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como uma doença catalogada sob codificação E66. Ao contrário do que se pensa comumente, obesidade não é excesso de peso. A obesidade é caracteriza por um excesso de tecido gorduroso em relação à massa magra (constituída pela musculatura, ossos e órgãos). Consequentemente, o aumento de peso devido à retenção de líquido, prisão de ventre e aumento muscular não é considerado obesidade.

 

Há várias maneiras de se diagnosticá-la: bioimpedância, plicometria, água marcada, peso etc....Mas, apesar de estar longe de ser um método perfeito e infalível, a relação de peso x altura, conhecida por IMC, é o mais usado já que é de fácil obtenção e comparação.

 

 

A obesidade é responsável por uma série de complicações e prejuízos à saúde, incluindo diabetes,  hipertensão arterial, morte súbita e vários tipos de câncer como de mama, ovário, cólo de útero e intestino e pode interferir negativamente na auto-estima e na adaptação social.

 

Várias causas para o problema existem, porém menos de 5% são devidos a transtornos hormonais propriamente ditos. As obesidades de mais difícil tratamento incluem as originadas após cessação abrupta de atividade física, pós interrupção do tabagismo, pós ganho de muito peso na gestação e mulheres com mais de 60 anos.

 

O tratamento da obesidade consiste em uma re-educação alimentar, com equilíbrio de nutrientes, macros e micros, balanço energético adequado e adaptações ao longo de todo o tratamento. Um programa de atividade física é muito importante em qualquer idade, em especial após 25 a 30 anos de idade e suporte psicológico, procurando solucionar ou equilibrar conflitos que desencadeiem fugas alimentares ou boicotes ao tratamento. Infelizmente ainda não existem medicações que façam "milagres" (maiores detalhes veja o tópico "tireóide" no menu da página principal), a função dos medicamentos atualmente disponíveis se restringe, em suma, no auxílio ao paciente no seguimento de seu cardápio, ou seja, apoiá-lo quando o mesmo precisa de ajuda. Várias substâncias existem e, naturais ou não, nenhuma delas é totalmente isenta de riscos e seu uso deve ser ponderado individualmente. Um paciente que procura em um remédio a solução para o obesidade está certamente muito mais próximo de encontrar um problema, talvez ainda maior, para o resto de sua vida. O vínculo ideal deve ser feito com o tratamento em si e o medicamento, se necessário, fazendo parte desse conjunto.

A cirurgia se destina aos casos mais graves onde já não se consegue manter o peso perdido. Importante salientar que, quase todos obesos graves - conseqüentemente candidatos à cirurgia - perdem peso sem ela; mas não conseguem manter o peso perdido - daí a indicação. A cirurgia não é isenta de riscos, inclusive óbito, por isso é reservada para os casos cuja obesidade esteja colocando em perigo a vida do indivíduo acima do que a cirurgia poderia trazer de risco; ou seja, é um opção pelo menor risco; portanto para se operar, há de se ter indicação médica responsável. Após a cirurgia é mandatório o seguimento endocrinológico por toda a vida por causa dos distúrbios metabólicos que poderão advir como conseqüências de um mau acompanhamento pós-operatório. Várias técnicas existem e devem ser discutidas com um cirurgião experiente nesse tipo de abordagem, preferentemente indicado pelo endocrinologista. O uso do balão intra-gástrico se limita ao preparo cirúrgico de grandes obesos já que a perda de peso percentual não é muito grande e a quase totalidade reganha o peso perdido após 6 meses da retirada do mesmo. A bandagem gástrica ajustável é uma técnica relativamente nova e que nosso grupo tem estudado bastante, consistindo em um procedimento laparoscópico (cirurgia de pequeno porte e muito baixo risco) onde se fixa uma banda (uma espécie de faixa que comprime) no estômago e vai fazendo um aperto progressivo junto com a re-educação alimentar, visando melhorar o problema de peso do paciente.

exemplo de cirurgia usada para obesidade

Banda gástrica ajustável

Portanto, a melhor medida é a prevenção. Mas, quando essa não é mais possível, o tratamento sério e com verdadeiro compromisso nas fases mais precoces da doença pode ser muito útil. Já que, como doença que é, infelizmente evoluirá de modo certeiro, se não tratada ou tratada inadequadamente, gerando dificuldade muito maior ou às vezes impossibilidade de sanar o problema no futuro.

A reeducação com mudanças de hábitos é o princípio fundamental do sucesso duradouro!

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